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A crise do ensino médio Notícias – 27/05/2010

Basta apenas um olhar superficial sobre a paisagem da educação no país para se observar que o ensino de nível secundário vive a maior crise de sua existência. E essa crise não se dá apenas nas dependências das escolas públicas, ela atinge os colégios particulares, apesar da exagerada maquiagem em esportes e ‘laboratórios’.

A escola pública de ensino médio é apenas a mais afetada pela ausência de sintonia com o que acontece no mundo de verdade. Entretanto, o ensino particular de nível médio também está desconectado com a realidade, e se segura no argumento ultrapassado de que tem eficiência para aprovar o aluno no vestibular.

O ensino médio necessita dar lugar, com urgência, a uma educação voltada para a qualificação para a vida que leve em consideração que o aparato de ensino não se encontra numa ilha, mas faz parte de contexto competitivo e dinâmico e que requer profissionais capacitados para o exercício de atividades que levem em conta as vocações regionais.

O ensino médio necessita colocar em segundo plano os conteúdos que jamais serão utilizados na vida real dos alunos, e realçar os que são comprovadamente importantes para o progresso social das pessoas e o desenvolvimento da comunidade.

Nesse sentido, a Educação Profissional, que vem crescendo em todo o país, surge como a modalidade de ensino secundária apto para manter no aluno o interesse pelos estudos e qualificá-lo, no nível médio, para o exercício de uma profissão. O aluno termina o ensino profissionalizante de nível médio com uma profissão, invariavelmente sintonizada com as necessidades do mercado, e tem à sua frente a chance de escolher entre buscar o emprego e exercer sua profissão no nível de técnico; buscar se empregar e levar continuidade aos estudos para nível superior; ou prosseguir nos estudos buscando uma qualificação superior à profissão que já tem.

A criação de uma verdadeira rede de IFRNs (antigos Cefets) e o anúncio de 10 novos centros de educação profissional, sugere uma mudança de rumo nos governos responsáveis pelo ensino de nível médio. Mudança essa que, certamente, colocará em xeque não apenas as escolas públicas de nível médio, mas também os colégios particulares que buscam com pirotecnia manter a clientela.

Um pequeno exemplo disso já está sendo sentido com a forte presença do IFRN localizado na avenida Salgado Filho – que tem a preferência dos jovens que realmente querem estudar e tem dado um passeio em matéria de aprovação no vestibular, mesmo sem fazer questão disso.

Mudanças terão que ocorrer, dados oficiais apontam para uma taxa de abandono escolar no ensino médio de 12,8%, boa parte dos educandos não chega a concluir as três séries da modalidade. Um dos problemas, na avaliação de especialista, é a corrida dos jovens para o mundo do trabalho. Nada melhor que a educação procurar essa demanda onde ela está: no campo de trabalho. Nada melhor que a educação profissional, mas com ensino de qualificada e escola equipada.

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